domingo, 15 de junho de 2008

Quem é Pseudo?

Pela definição formal temos o seguinte: “pseudo = Elemento de composição 1.= ‘falso’: pseudestesia; pseudópode.” Ora, isso todo mundo já sabe, o problema é o uso do termo.
Outro dia estava no MSN, papo vai, papo vem, uma amiga me disse que odeia quem usa a palavra em questão, ta certo, ela só não me respondeu o porquê da rejeição. De repente me veio à mente, o que é ser pseudo alguma coisa?
Pseudo-intelectual, pseudo-culto, pseudo-aristocrático, tudo virou pseudo. Se cairmos num relativismo psicológico, realmente tudo é um falsete. Mas, voltemos à vaca fria. Por que quando um termo, ou algo, cai em uso rotineiro vira motivo de uma “pseudo-rejeição”?
Os que vestem quadriculado criaram uma cartilha Cult e determinaram: tudo o que vira popular é uma merda! A graça é achar bom o que ninguém conhece. Se um “chicleteiro” assistir Felini, pode ter certeza que seus filmes virarão motivo de crítica. Dirão eles: “Não assisto mais isso, o Neo-realismo “aplayboyzou”.”
A expressão pseudo-intelectual também foi assim. Embarcados na emergência de uma nova geração que se diz culta, nossos jovens ganham status quando dizem que ouvem cartola e freqüentam o chorinho de domingo ou a free-session de Jazz de sábado. Não sei o que é pior, os que falam ou os que ouvem e aclamam o fanfarrão. A partir disso, quem fugir ao perfil determinado virou um “pseudo”. “Ai meu deus, tenho que ouvir Chico e ler Nietzsche se não estarei fora do contexto”, deve pensar nossa juventude.
Então, quadriculados de plantão, está expressamente proibido o uso da palavra pseudo, à custa de, se usada, você ser taxado como um alienado pelo sistema. Depois disso eles devem se policiar ao máximo, o xingamento alienado é a morte para eles.
Para eles e para mim. Ora, isso pode ser uma auto-crítica também, porque não? Acho que acabei de digitar um pseudo-artigo, ah mais foda-se! Acho que estou condenado ao pseudo-articulismo.
Porém, nem tudo está perdido, enquanto nosso blog for pouco visitado estaremos dentro da cartilha Cult como algo a ser elogiado, estou com medo é da grande massa de leitores que podem nos seguir, ai estamos fadados a ser um produto popular, vamos “aplayboyzar”, viraremos uma merda, nos tornaremos um pseudo-blog.

4 comentários:

Alexandre Vasconcellos disse...

Amigo Gabriel Mattos, esse texto me confirma o pq de eu querer ter feito algo contigo.

Sua análise/ autocrítica é precisa. Eu mesmo uso essa porra de termo adoidado, em uma pseudo-superioridade pseudo-babacóide.

Mas vc ñ se trata de um pseudo-articulista. Tu tens o dom da palavra! A não ser que vc se passe por um trânsfuga, ou melhor dizendo, um pseudo pseudo-articulista. Aí sim, vc merece os devidos pseudo-sufixos.

Gabriel Mattos disse...

ahahahahahahha....
Realmente é um termo escroto, que acabou virando moda.
Agradeço as palavras de incentivo, vindas do futuro jornalista/presidente do Flu.
Nosso pseudo pseudo - blog ta muito bom. O chorume já está virando lixo completoo!!aaauhahuahu

Absss

Maria. disse...

AEEEEEEEEEEEEEEEEEEE! muito bom, gabriel!
podia ter colocado meu nome, so isso. ou nao, ne? droga! me tornei uma pseudo amiga!

beijo grande

Marcus disse...

você deu uma generalizada na questão da popularização eu acho..
eu conheço uma infinidade de bandas que depois que vieram ao mainstream realmente mudaram o som por exemplo, nao foi só o publico mas o próprio material produzido pela banda mudou..
mas todos esses termos nascem com uma certeza, ninguém os assume.
mas também é mó viagem limitar alguém a um termo pseudo-cult-maconheiro-emo-viado.
As pessoas são mais do que isso.